28 de novembro de 2019 – nº 1.364

UNIDAS-SP realiza Fórum de Sustentabilidade e Gestão em Saúde Suplementar

No mês de novembro, a UNIDAS-SP promoveu o Fórum Sustentabilidade e Gestão em Saúde Suplementar para profissionais de autogestões, prestadores de serviços e consultorias técnicas. O evento, que contou com a presença de palestrantes relevantes que abordaram temas importantes no atual contexto da saúde suplementar, foi realizado com o apoio da BD – empresa global de tecnologia médica.

Durante o Fórum, que contou com a curadoria da CEO do Instituto Coalizão Saúde, Denise Eloi, os especialistas compartilharam sua visão e suas experiências do mercado de saúde. Entre os temas abordados estão saúde baseada em valor; Atenção Primária como estratégia de inovação; econômica da saúde: gestão eficiente e a tecnologia como estratégia propulsora da sustentabilidade; e incorporação de novas tecnologias: acesso e seus impactos na gestão da saúde.

O evento vem em linha com o compromisso da atual diretoria em promover conhecimento, troca de experiências e interações entre a cadeia de saúde, viabilizando maneiras inovadoras e eficientes de gestão em saúde e colaborando com a sustentabilidade e qualificação do setor e foi avaliado de maneira muito positiva por seus participantes.

Saúde baseada em valor

Durante a discussão sobre novos modelos de negócios em saúde, o sócio líder da Deloitte Brasil, Enrico Vettori, destacou que o sistema atual precisa aprimorar a gestão coibindo desperdícios, fraudes, desvios e ineficiência. O especialista enfatizou ainda que é preciso olhar primeiro para o paciente e que a saúde baseada em valor requer, antes de tudo, o resgate da confiança nas relações entre os atores do mercado.

Enriquecendo o painel, o presidente da UNIDAS, Anderson Mendes, acrescentou que a personalização da medicina tornará o setor mais dinâmico e que a troca de dados entre a cadeia será determinante para a transformação na saúde.

Já o presidente no IBRAVS Instituto Brasileiro de Valor em Saúde, César Abicalaffe, falou sobre o conceito de “valor em saúde”, que tem sido colocado em prática rapidamente pelas operadoras. “A gestão da saúde deve priorizar os desfechos dos casos, o que consequentemente incidirá sobre o custo”, acrescentou. Para o especialista, a Atenção Integrada à Saúde precisa ser estruturada sob modelos de remuneração que levam em conta o desempenho do prestador para vender qualidade e não rede. Para ele, a experiência do paciente definirá o grau de seu engajamento, sendo possível medir o valor do serviço prestado e vincular desfechos satisfatórios à remuneração adequada.

Atenção Primária como estratégia de inovação

No painel sobre Atenção Primária como estratégia de inovação, o diretor médico da Amil, Alexandre Rosé, e o gerente da filiada CASSI-MG, Éverton Ermógenes, compartilharam suas experiências, resultados e desafios relacionados a implementação da Atenção Primária à Saúde. Para os especialistas, o sucesso do programa depende da gestão eficiente dos indicadores; de linhas de cuidado bem estruturadas; do referenciamento da rede médica; do monitoramento constante da jornada do paciente; e, sobretudo, do acesso dos pacientes à rede de APS, que envolve a disponibilidade de local, hora e profissionais capazes de cuidar de forma integral da pessoa, inclusive dentro do seu contexto familiar e de vida.

Economia da saúde: gestão eficiente e a tecnologia como estratégia propulsora da sustentabilidade

Durante o painel, a diretora comercial da Qualirede, Vilma Dias, destacou que o mundo está em transformação e que as organizações exponenciais trazem soluções mais rápidas, com custo menor e melhor qualidade, portanto, é necessário acompanhar esse movimento também na área da saúde. A palestrante também falou sobre a necessidade de alinhamento dos objetivos na cadeia produtiva, colocando sempre a pessoa no centro das ações e projetos, além da adoção de modelos inovadores de gestão, envolvendo principalmente a Atenção Primária à Saúde como orquestradora do cuidado, a telemedicina e as análises preditivas como fomentadores de mudança.

Colaborando com a discussão, o presidente da SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde), Luis Gustavo Kiatake, fez uma provocação para reflexão: “Será que já não temos dados suficientes (por meio da TISS) para começarmos a usar a tecnologia como propulsora na sustentabilidade do sistema de saúde? A resposta está dentro de cada instituição e é crucial para a sobrevivência, em especial das autogestões”, acrescentou.

Incorporação de Novas Tecnologias: Acesso e seus impactos na gestão da saúde.

A consultora Goldete Priszkulnik iniciou as discussões do painel falando sobre as fusões e aquisições pelos grandes grupos e da verticalização progressiva e agressiva de grandes operadoras, deixando o mercado em alerta com a sustentabilidade do sistema. Para a palestrante, a incorporação de novas tecnologias é um dos possíveis caminhos para garantir a assistência com custo-efetividade.

Para finalizar, a diretora técnica da gestão OPME, Andrea Bergamini, trouxe um alerta sobre o desperdício e falta de pertinência na realização de intervenções cirúrgicas desnecessárias – prejuízo que pode chegar a R$ 100 bilhões anuais, segundo estudos. A especialista mostrou ainda que protocolos bem estabelecidos de OPME podem gerar uma economia de pelo menos 30%, contribuindo para melhores desfechos e previsibilidade.

“O conteúdo foi muito proveitoso e espero que tenhamos outros eventos como esse para acompanharmos e implementarmos as estratégias mais eficientes no processo de gestão da saúde”, acrescentou a gerente de contas do Economus, Silmara Marina Teles. Newton Quadros Cairo, prestador da DAVITA também elogiou: “O fórum abordou temas importantes e atuais sobre cuidados coordenados e formas mais sustentáveis de relacionamento entre operadoras de planos e seguros de saúde e prestadores de serviços”.