24 de outubro de 2019 – nº 1.350

22º Congresso Internacional UNIDAS: workshops apresentam cases de inovação, sustentabilidade e debatem Lei Geral de Proteção de Dados, reforma tributária e futuro da comunicação

O 22º Congresso Internacional UNIDAS – A importância das autogestões na transformação do setor da saúde do Brasil – trouxe workshops simultâneos com o objetivo de debater temas importantes com especialistas do setor.
Os painéis compartilharam experiências inovadoras entre as autogestões, além de cases e discussões que colaboram com a sustentabilidade do setor. Os workshops também falaram sobre temas relevantes para o setor como a lei geral de proteção de dados, reforma tributária, judicialização da saúde suplementar, o futuro da comunicação na era dos chatbots e algoritmos e a ouvidoria como ferramenta de apoio à gestão.

Sala Londrina

A sustentabilidade do setor foi o foco das discussões do painel “Sustentabilidade – Compartilhamento de experiências entre autogestões”, que abordou questões atuais que impactam diretamente o segmento.
O diretor Técnico da Caixa de Assistência Oswaldo Cruz (FioSaúde), Arthur Bastos, falou sobre Dificuldades na implantação de um novo produto. Com foco na Atenção Primária à Saúde, a apresentação do médico se concentrou nas mudanças na forma de atendimento e o quanto foi desafiador lidar com desconfianças. “É natural que toda mudança gere uma reação e na FioSaúde não foi diferente. Tivemos de lidar com a desconfiança de todos os entes, mas os resultados têm sido excelentes. Hoje, o atendimento médico da nossa operadora está na palma da mão”, finalizou o especialista.
Em seguida, foi a vez do presidente da Diretoria Executiva da CASU (Caixa de Assistência à Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais), Dirceu Wagner Carvalho de Souza, falar sobre Atendimento Ambulatorial: mais qualidade, custo menor. “O caminho para atingir os objetivos foi pelos médicos generalistas e por um corpo de enfermagem que orienta o paciente, esclarecendo dúvidas que, muitas vezes, os médicos não conseguem sanar. O benefício para o paciente é um atendimento personalizado e sem fila de espera”, explicou o presidente.
Na sequência, Wesley Nunes, gerente Assistencial da Copass Saúde (Associação de Assistência à Saúde dos Empregados da Copasa/MG), falou sobre A experiência da Copass Saúde com a Metodologia DRG como ferramenta de diagnóstico de internações hospitalares, cujo programa identifica onde estão os desperdícios no ambiente hospitalar.
Finalizando as apresentações da Sala Londrina, o gerente da Cassi São Paulo (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil), Mário Jorge, palestrou sobre Modelo de compra de serviços hospitalares com risco compartilhado.
O painel foi mediado por Cleudes Freitas, vice-presidente da UNIDAS.

Sala Jundiaí Mairiporã

Já o painel Inovações – Compartilhamento de experiências entre Autogestões, trouxe iniciativas inovadoras que agregam valor aos beneficiários e ao setor da saúde como um todo.
O assessor de Comunicação da Cemig Saúde, André Elesbão, iniciou as discussões falando sobre a Transformação da comunicação na Cemig Saúde. “O maior desafio da nossa comunicação é chegar a todos os beneficiários”. A operadora fez algumas mudanças, como a criação de novos meios de comunicação específicos para seus diversos públicos e um programa de engajamento do beneficiário que não conhece sobre o seu plano de saúde, com pílulas de conhecimento, vídeos de orientações, ações de relacionamento e cursos. “Criamos um processo de disseminação de informação e, a partir do momento que o beneficiário vai consumindo o conteúdo e seguindo as etapas, ele é premiado. Assim ele conhece o plano e ainda ganha uma recompensa, que pode ser um bônus em algum serviço”, acrescentou.
Em seguida, Janaina Cardoso, gestora que compõe a equipe da Gerência de Saúde da Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil), falou sobre A importância da gestão populacional na organização dos serviços de Atenção Primária e a necessidade de olhar para o indivíduo. “Com a transição demográfica, nutricional, epidemiológica e o envelhecimento da população, nós precisamos rever os nossos modelos de atenção à saúde. Ele não é estático, ele e dinâmico e precisa sempre ser revisto”, enfatizou a especialista. Além de abordar a importância de trabalhar com o perfil epidemiológico da população e estratificar e conhecer essas pessoas para trabalhar com pilares de necessidades semelhantes, Janaina explicou como funciona o trabalho de gestão populacional na CASSI e como ela está diretamente ligada com a eficiência do trabalho de Atenção Primária à Saúde.
Para finalizar, Paula Campos, que atua na elaboração de normativos técnicos e no desenvolvimento e implantação de projetos inovadores em saúde na PASA, operadora de autogestão da Vale, falou sobre as Vantagens da tecnologia para uma Gestão de Crônicos Eficiente. “A gente tem uma assistência fragmentada na saúde suplementar, com gastos mais altos que o suportável, população envelhecendo e uma desinformação muito grande nesse era digital”, esclareceu a especialista. Paula abordou sobre o uso da tecnologia e dos algoritmos para trabalhar as etapas da gestão dos pacientes crônicos. Além disso, ela também ressaltou a importância da transformação digital com foco na gestante usando como exemplo o aplicativo “Gestação”, que tem como objetivo o empoderamento das gestantes, a navegação e a identificação de riscos, incremento na qualidade assistencial, redução de custos e atuação individualizada e assertiva.
A mediação do painel Inovações – Compartilhamento de experiências entre Autogestões – foi conduzida pela diretora Técnica da UNIDAS, Marina Yasuda.

Sala Ballroom A

A Ouvidoria como ferramenta de apoio à gestão

O painel A Ouvidoria como ferramenta de apoio à gestão contou com as apresentações de João Luis Barroca, ouvidor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que falou sobre as Ouvidorias e a saúde suplementar; Michelle Campanella, ouvidora da Postal Saúde, que mostrou dados que comprovam a Aplicabilidade da Ouvidoria no ferramenta estratégica, e Aline Paz, ouvidora da Geap Autogestão em Saúde, cuja fala se baseou no Compartilhamento de boas práticas em Ouvidoria.
A mediação desse painel foi de responsabilidade da diretora de Treinamento e Desenvolvimento da UNIDAS, Priscila Moura.

O futuro da Comunicação

O painel de comunicação trouxe um debate sobre as tendências e o futuro dessa área e qual seu papel estratégico, além da apresentação de um case real.
A jornalista especialista em marketing digital e sócia da agência Join+Us, Núbia Tavares, falou sobre o papel da tecnologia e como chatbots, inteligência artificial e big data são as grandes tendências que norteiam a estratégia de comunicação. Contudo, ressaltou, o fator humano que permanece como diferencial. “A tecnologia ajuda a dar o norte, mas robôs ainda não são capazes de lidar com as oscilações de humor, os sentimentos, aspirações e desejos humanos, assim como o Big Data não consegue captar tendências não quantificáveis”, explicou.
Já o superintende da SPA Saúde, Ricardo Garcia, apresentou um case efetivo de comunicação. Em 2018, a operadora criou a campanha “Carência Reduzida”, com foco em aumentar o número de benefícios por meio do apelo de zero carência para uma série de procedimentos. “Conseguimos aumentar as vendas em 50% em relação ao mesmo período de 2017 e ainda equilibrei meu percentual por faixa etária, já que a maior parte dos novos integrantes são das faixas etárias mais jovens”, destacou Ricardo. “Isso prova que comunicação é efetiva e deve ser foco de toda a empresa”, ressaltou.
O mediador desse painel foi o diretor de Comunicação da UNIDAS, Mauricio Messias.

Sala Itatiba Mauá – Temas jurídicos e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

As apresentações relacionadas aos temas jurídicos iniciaram com o advogado e consultor jurídico da UNIDAS, José Luiz Toro da Silva, que falou sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “A lei vai trazer uma grande mudança cultural nas empresas, além de empoderar os beneficiários. Ela estabelece uma preocupação com os dados. Não é só uma questão de privacidade, é uma questão de autodenominação do consumidor. Ele tem o direito de saber o que estão fazendo com seus dados pessoais”, acrescentou.
Em seguida, a desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Vilma Rezende, abordou os impactos da Judicialização da Saúde.
A juíza titular da 9ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da região metropolitana de Curitiba, Vanessa Marchi, deu detalhes sobre o Programa Eficiência na Judicialização da Saúde Suplementar idealizado por ela e implantado pela 2ª vice-presidência do Tribunal de Justiça do Paraná.
Logo depois, foi a vez do médico Waldyr Ceciliano, que atua como consultor e auditor em saúde, que detalhou o Compliance em saúde.
Finalizando as apresentações com foco em temas jurídicos, o advogado especialista na área tributária, Welington Luiz Paulo, apresentou à plateia os impactos da reforma trabalhista, que tramita no Congresso. “O grande foco da reforma hoje, considerando a maioria das propostas que estão sendo apresentadas, se baseia principalmente na simplificação da tributação sobre o consumo”. Para o advogado, a reforma poderia ser uma oportunidade para retificar a cobrança de alguns impostos do segmento, como o Imposto Sobre Serviços (ISS), considerando que as autogestões não possuem fins lucrativos e não existe uma relação de consumo entre as autogestões e seus beneficiários.
A mediação desse painel foi do superintendente Regional da UNIDAS no Estado do Paraná, Daniel Conde Falcão.

Desafio solidário

Após os debates ocorridos nos workshops, os participantes do congresso foram convidados a participarem de uma experiência inédita, com o objetivo de descobrir o poder da ação com um desafio solidário. Durante a dinâmica, que reuniu mais da metade dos congressistas, os participantes tiveram que trabalhar em equipes para montar – do zero – bicicletas infantis, sem consciência sobre a finalidade da ação.
Ao final, eles foram surpreendidos com a chegada de 60 crianças do Projeto Curumim – organização que trabalha com crianças de alta vulnerabilidade social. Os pequenos, que também não sabiam por qual motivo estavam no local, foram surpreendidos e presentados com as bicicletas novinhas em folha, tomando o auditório de emoção.
“Esse evento será marcado para sempre como o congresso da solidariedade, das crianças e das bicicletas que, em time, montamos e doamos. A ação de cunho social vai em linha com o que queremos para o futuro da entidade, nós estamos propondo uma nova UNIDAS, solidária e colaborativa”, afirma Anderson Mendes, presidente da UNIDAS.

Prêmio IDSS e Prêmio Saúde UNIDAS

Para encerrar o primeiro dia de evento, o presidente da UNIDAS, Anderson Mendes, entregou o Prêmio IDSS (Índice de Desempenho da Saúde Suplementar) às 12 operadoras de autogestões que foram qualificadas no indicador da Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS). Entre elas estão a Abertta Saúde; Agros – Instituo UFV de Seguridade Social; Cafaz – Caixa de Assistência dos Servidores Fazendários Estaduais; Casu – Caixa de Assistência à Saúde da Universidade; Casec – Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados da CODEVASF; Cassin – Caixa de Assistência do Sindifisco; Cemig Saúde; Elosaúde – Associação de Assistência à Saúde; Face – Fundação de Previdência dos Empregados da CEB; Fundação Libertas de Seguridade Social; Judicimed – Associação de Assistência médico hospitalar dos Magistrados do Estado do Paraná; e Unafisco Saúde – Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil.

Por fim, Anderson entregou o Prêmio Saúde UNIDAS 2019, que é direcionado para profissionais e entidades que tenham realizado trabalhos que colaborem com a assistência aos beneficiários de planos de saúde. os prestigiados foram a Qualirede, que ficou em primeiro e segundo lugar com os trabalhos “Fraturas de Úmero ou Rádio Distal como alerta para fraturas de colo de fêmur ou coluna, estudo de coorte retrospectiva em um plano de saúde com abrangência estadual em Santa Catarina” e “Gestação e segurança do paciente internado: um novo olhar da auditoria”, respectivamente; e em terceiro lugar a Caixa de Previdência e Assistência dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde (Capesesp) com o trabalho “Impacto Econômico de enxaqueca na saúde suplementar sob a perspectiva de uma operadora de plano de saúde na modalidade de autogestão”.

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